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A Linha da Vida (como Atividade Expressiva)


Linha da Vida - figura 7 - Denise Schinetzky
Linha da Vida - figura 7 - Denise Schinetzky

"Uma história pode ser contada de várias formas, versões, com distintos aprofundamentos e ramificações dos fios que a conformam. A cada vez que convidamos alguém a ouvir nossa história (que aceitamos o convite para contar nossa história) estamos dando as mãos e seguindo juntos pelos enraizamentos diversos que uma vivência produziu em nós e, assim, podemos cultivar diferentes frutos, da mesma raiz." (Nogueira, 2017)


Segundo Nogueira (2017) “(...) as histórias de vida recolocam o ser humano em sua dimensão concreta - aquela da experiência.” A vida com sua imprevisibilidade e com seus movimentos, requer aprendizados e flexibilidade do sujeito que, ao atribuir significados torna a experiência de viver mais rica e repleta de sentido.


Utilizamos a atividade expressiva chamada “linha da vida” para contar, ou melhor, recontar nossa história pessoal, estreitando laços com as experiências vivenciadas. Elaborada com técnicas e materiais de escolha do cliente, pode ser apresentada no formato de um livro, cartões ou objetos guardados em uma bela caixa, um “varal” com fotos e imagens produzidas ou até um bordado. A liberdade criativa ao realizar as atividades expressivas possibilita alcançar a si mesmo, transcendendo os limites das memórias, e descobrindo novas nuances de si e dos acontecimentos da vida.


Atividade expressiva  importante para adultos em fase de transição, pois aciona potenciais e reorganiza memórias, reconectando a aspectos adormecidos, atualizando crenças, ressignificando acontecimentos dolorosos.  Com idosos é um exercício de memória que se constrói através do simbólico, resgatando recordações afetivas (que podem ser dolorosas), e treinando as funções executivas através desse momento, normalmente lúdico e prazeroso. A elaboração da biografia pode ser potencializada quando acompanhada da trilha sonora das músicas que marcaram a trajetória da pessoa, mobilizando afetos, emocionando. A atividade pode ser proposta através de um tema, um fio condutor, como a representação das casas, em que a pessoa morou até aquele momento da vida, (como na figura 7), imaginando aquelas que não estão na lembrança ou reimaginando o que foi ali vivenciado. Quantos conteúdos podem ser revisitados, reelaborados, integrados por meio dessa proposta. As lembranças dolorosas que surgem encontram um suporte, um continente na figura do arteterapeuta que conduz o processo com o embasamento metodológico, mas, principalmente, com a energia curativa do afeto, do acolhimento.


Podemos pensar em quanto esse continente, esse lugar de acolhimento e de afeto se faz necessário no ambiente escolar em que se estabelecem relações entre as histórias de vida que cada um traz para a coletividade. Em sala de aula o professor melhor preparado academicamente, continua sendo um ser humano com questões pessoais que impactam diretamente em sua prática. Trabalhar com a linha da vida e com os recursos expressivos é uma forma de proporcionar aos professores uma oportunidade de autoexpressão, aumentando seu autoconhecimento, sua capacidade de regulação emocional, resgatando a autoestima, desenvolvendo seus potenciais criativos, que são muito importantes no contexto escolar. Segundo Gomes (in Ciornai 2004, p. 68), “(...) ao se expressar o educador reorganiza as próprias percepções, além de encontrar outros caminhos de comunicação”. Comunicação essa que se dá com os próprios sentimentos, com o seu mundo interno, com a sua história de vida e com o outro. Ao se redescobrir, recria-se. Ao se relacionar melhor consigo, relaciona-se melhor com o outro.


Nos apresenta Hillman (2010, p.41) que podemos, sim, contar novas histórias. “O modo como imaginamos a vida é o modo como continuaremos a vivê-la. Pois a maneira pela qual contamos a nós mesmos o que está acontecendo é o gênero por meio do qual os eventos se tornam experiências.” Realizar o processo arteterapêutico com a linha da vida é tomar a vida nas mãos, tomar posse daquilo que se “É”, e seguir em frente com maior integridade.


“A Linha da Vida” é um trecho do TCC de Denise Schinetzky, Arteterapia: criatividade, atividades expressivas e saúde mental (PUC-RS 2022)


Denise Schinetzky é arteterapeuta junguiana, atelierista e ceramista. Atualmente é coordenadora adjunta da Especialização em Arteterapia Junguiana, além de docente do curso. Realiza atendimentos clínicos, grupos e workshops em arteterapia. Desenvolve um trabalho artístico com cerâmica, seu principal recurso de expressão, além de ministrar atelier e workshops em cerâmica manual, em Porto Alegre, RS @deniseschinetzky   

WhatsApp 51.981404107


Referências Bibliográficas

1- CIORNAI, Selma (org), Percursos em Arteterapia - vol. 63. São Paulo, Summus Editoria, 2004.

2- HILLMAN, James. Ficções que curam - psicoterapia e imaginação em Freud, Jung e Adler.Campinas: Versus, 2010.

3- NOGUEIRA, MLM et al. (2017) O método de história de vida: a exigência de um encontro em tempos de aceleração .Pesqui. prát. psicossociais vol.12 no.2, pp. 466-485. São João del-Rei abr./jun. 2017. Acesso: 01 agosto 2022.



 
 
 

1 comentário

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Jailson Camargo
09 de mar.
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A Arteterapia tornou-se um viés importante no SUS, através das PICS, já observamos ótimos resultados nos pacientes através dessa prática, tanto como na saúde mental, como na relação paciente/profissional de saúde.

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